DONA JUREMA BLACK STAR apresenta: EU E VOCE CONTRA TODA A MALDADE DO MUNDO


1983, 1984...



1983,1984...
Michael Jackson começava a afinar o nariz. Eu era um molequinho e lembro que comecei a trabalhar
fazendo suco na academia de karatê do meu primo e do meu tio.
Com a grana do meu primeiro salário, comprei 3 compactos simples. Que nos EUA até hoje chamam de singles.
Say, Say, Say / No More Lonely Nights / Ghostbusters Theme.
Mas o que eu lembro de mais marcante é do detalhe que embora eu tenha comprado estes "discos" (como a gente chamava),
eu não tinha onde escutá-los. Então todo dia quando eu chegava em casa eu abria a gaveta da cômoda,
tirava os discos lá de dentro e viajava nas artes da capa, nas informações, naquela foto do Paul na contra-capa do "No More..."
naquela estação de trem, de madrugada. "-Quem será esse cara?" "O que ele fez pra estar tão só?"
Eram algumas das perguntas que eu me fazia. E acho que ainda faço até hoje quando escuto aquele solo de guitarra triste de David GIlmor. Um solo eterno, capaz de atravessar a memória do tempo tanto ao passado quanto ao futuro.
Demorou pra gente lá em casa ter grana pra comprar uma vitrola (como chamavam-se aqueles aparelhos de tocar discos)
Mas de certa forma, o contato com as imagens,o manusear da capa, o vinil e os sulcos misteriosos de onde saia o som, tudo isso incutiu em mim a magia, o amor e o respeito pela música como algo transcedental, uma verdadeira experiência religiosa para um garoto pobre da periferia da zona sul.
Antes mesmo de ter onde tocar, tocar a música pra mim, era tocar naqueles discos, naquelas capas.Eu podia pegar a música com as mãos.
Hoje com meus zilhões de mp3 dentro do meu ipod, eu de certa forma me alimento de música como sempre, mas no fundo, no fundo, não consigo evitar a nostalgia de uma época em que a música já tinha pra mim uma aura mágica, antes mesmo que eu pudesse escutar a primeira nota daquelas canções naqueles disquinhos, que eu demorei muuito pra saber como soavam.


Escrito por Paulo (Wences) Duarte às 23h15
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VELHINHOS DO BARULHO



Para protestar contra as condições paupérrimas a que estão relegados os velhinhos
da Inglaterra. Um cineasta britânico, juntou um grupo de 60 senhores e senhoras da terceira
idade para um documentário e dele surgiu...The Zimmers.
Um grupo de rock muuuito diferente e que virou mania na Internet com a interpretação
fantástica do hit do The Who "My Generation".
Frases como "I Hope I die Before I Get Old" (Eu espero morrer antes de ficar velho)
tomam proporções viscerais na interpretação deste que é desde já, um dos melhores grupos
de rock and roll que já surgiram na Terra. E se você ainda tem alguma dúvida,
é só conferir o video dele no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=zqfFrCUrEbY

Tem coisas que só o rock and roll é capaz.
E por essa concorrência, nem os Rolling Stones esperavam.

Escrito por Paulo (Wences) Duarte às 07h15
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LIVRE ADAPTAÇÃO DO FITO

Ao Lado do Caminho

Eu gosto de estar ao lado do caminho
queimando um fumo enquanto tudo passa
me encanta abrir os olhos e estar vivo
e ter que me enfrentar com a ressaca.

Então, navegar se faz preciso
em barcos que nos levem rumo ao nada
viver atormentado de sentido
creio que, esta sim, é a parte mais pesada.

Em tempos em que ninguém escuta nada
em tempos em que são todos contra todos
em tempos egoístas e mesquinhos
em tempos onde sempre estamos sós

terá que declarar-se incompetente
em todas as matérias do mercado
terá que declarar-se um inocente
ou terá que ser abjeto e desalmado

Eu já não pertenço a nenhum "ismo"
me considero vivo e enterrado
eu pûs algumas músicas em teu walkman
e o tempo a mim, me pôs do outro lado.

Terei que fazer o que é e não devido
Terei que fazer o bem e fazer o dano
Mas não esqueça que o perdão é dom divino
e errar, as vezes, costuma ser humano.

Não é bom cercar-se de inimigos
que não estejam a altura do conflito
que pensam que fazem uma guerra
que fazem marra e pisam como meninos

que rondam por sinistros ministérios
fazendo uma paródia do artista
porque tudo o que brilha nesse mundo,
somente lhes dá raiva e lhes dá inveja

Eu era um menino triste e encantando
com Beatles, Caña Legui e maravilhas
os livros, as canções e os pianos
o cinema, as traições e os enigmas.
meu pai, a cerveja, as pastilhas, os mistérios, os whisky ruins,
os óleos, o amor, tantos cenários
a fome, o frio, o crime, o dinheiro e minhas 10 tias
me fizeram este homem enveredado.

Se alguma vez me encontrar pela rua,
me dê um beijo seu e não se aflija
se ver que estou pensando em outra coisa
não é nada mal, é que passou uma brisa
a brisa da morte apaixonada
que ronda, como um anjo assassino
mas não te assuste, sempre isso me passa,
é só a intuição do meu destino.

Me agrada estar ao lado do caminho
queimando um fumo enquanto tudo passa
me agrada regressar do "esquecido"
para acordar em sonhos de minha casa
do menino que brincava de bola
no 49585
Ninguém nos prometeu um jardim de rosas
Falamos do perigo de estar vivo.

Não vim pra divertir a sua família
enquanto o mundo cai aos pedaços
me agrada estar ao lado do caminho
me agrada te sentir ao meu lado
me agrada estar ao lado do caminho
dormir contigo, a cada noite, entre os meus braços

Ao lado do caminho
Ao lado do caminho
Mais divertido e mais barato
Ao lado do caminho
Ao lado do caminho


Escrito por Paulo (Wences) Duarte às 22h40
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